A REFORMA DO SÉCULO XXI: UMA NECESSIDADE IMPERIOSA

A REFORMA DO SÉCULO
XXI: UMA NECESSIDADE IMPERIOSA

 

Romanos 1.16-17: “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de
Deus para a Salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do
grego. Porque nele se descobre a Justiça de Deus de Fé em Fé, como está
escrito: ‘Mas o justo viverá da Fé’.”

 

Judas 3-4:
“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da Salvação
comum, tive por necessidade escrever-vos, exortar-vos a batalhar pela Fé que
uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes
estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em
dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único Dominador e Senhor nosso,
Jesus Cristo.”

 

31 de outubro de 1517: há 492 anos atrás, um vigário
agostiniano, o Rev. Dr. Martinho Lutero, Doutor em Teologia pela Faculdade de
Teologia da Universidade de Wittemberg, depois de quatro anos estudando a
Epístola de Paulo aos Romanos, e pregando acerca da Justificação Somente pela
Graça e Somente Mediante a Fé, ao ter se deparado com a venda de indulgências
ou perdões papais por parte do monge dominicano Tetzel, a mando do Arcebispo de
Mogúncia, se indigna e intima para debate público a todos quantos tivessem
interesse, através da afixação, nas portas da Igreja de Todos os Santos do
Castelo de Wittemberg, a obra
As Noventa e Cinco Teses Sobre o
Poder e a Eficácia das Indulgências
, contestando-as
Bíblica, teológica e filosoficamente. Tal debate realmente ocorreu dois anos
depois na Universidade de Leipzig com Johann Eck, Professor de Te
ologia da Universidade de Ingolstadt, que deu origem a três
livros (
A Nobreza Alemã; O Cativeiro Babilônico e A Liberdade de um
Cristão
), publicado
em 1520. Foi advertido no mesmo ano da publicação dos livros por Leão X, o
Anticristo que se assentava na Sé de Roma, e que o excomungou em 1521. Estas
informações são suficientes para demarcar o início da Reforma Protestante do
Século XVI.

 

31 de outubro de 1999: há dez anos atrás, representantes
da Federação Luterana Mundial (que reúne as maiores Denominações Luteranas do
Mundo) e representantes da Igreja Católica Romana (cujo líder, que é sempre um
anticristo assentado em Roma, foi responsável pela criação daquelas
indulgências, pela advertência ao Rev. Dr. Martinho Lutero e posterior
excomunhão dele, cometendo grande injustiça à vida deste Homem de Deus) se
reuniram em Augsburg, Alemanha, e assinaram a
Declaração Conjunta
Sobre a Doutrina da Justificação
. A declaração pode ser resumida nesse parágrafo:

Confessamos
juntos que o pecador é justificado pela fé na ação salvífica de Deus em Cristo;
essa salvação lhe é presenteada pelo Espírito Santo no batismo como fundamento
de toda a sua vida cristã. Na fé justificadora o ser humano confia na promessa
graciosa de Deus; nessa fé estão compreendidos a esperança em Deus e o amor a
Ele. Essa fé atua pelo amor; por isso o cristão não pode e não deve ficar sem
obras. Mas tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da
fé não é fundamento da justificação nem a faz merecer.

  

 

 

  

O Legislador Moisés, inspirado pelo
Espírito Santo, foi realmente perfeito (até porque não poderia ser de outra
forma) ao escrever o que lemos em Gênesis 3.1: “Ora, a serpente era mais astuta
que todas as alimárias do campo que o Senhor
Deus tinha feito” – e a serpente continua astuta. A sua astúcia foi reconhecida
por São Paulo Apóstolo igualmente inspirado: “o próprio Satanás se transfigura
em anjo de luz” (2 Coríntios 11.14). E, no contexto da passagem, Paulo parece
estar falando dos signatários de Augsburg: “tais falsos apóstolos são obreiros
fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (1 Coríntios 11.13).

Para que não fiquemos evasivos na
denúncia que “mata a cobra”, vamos comprovar pela Bíblia o que estamos dizendo,
pois ela é a pedra com que damos na cabeça da serpente, conforme nosso Senhor
nos ensinou pelo Seu exemplo quando foi tentado:

a) “o pecador é justificado pela fé na ação salvífica de Deus em Cristo;
essa salvação lhe é presenteada pelo Espírito Santo no batismo como fundamento
de toda a sua vida cristã” – um copo d’água pela metade sempre será um copo de
ar pela metade; uma afirmação da verdade pela metade é igualmente uma afirmação
da mentira pela verdade, e ela nunca estará a serviço do Todo Santo e Puro
Senhor nosso Deus pois nEle não há lugar para mentira. Agrada sim ao pai da
mentira e inimigo de nossas almas dizer aquilo que a Escritura não nos ensina.
Temos aqui a heresia da Regeneração Batismal, uma vez que não ficou claro que o
batismo referido seja a vocação eficaz da parte de Deus que dá ao eleito (e
somente ao eleito antes da fundação do mundo) o dom da Fé, que é o dom do
Espírito Santo. Repetimos: uma afirmação da verdade pela metade está a serviço
de Satanás, pois Deus não é Deus de confusão.

b) “Na fé
justificadora o ser humano confia na promessa graciosa de Deus” – Ocorre porém
que a Fé não justifica – ela é a condicional para se receber a Justificação.
Como diz
Hodge, "não somos justificados por causa da nossa fé, considerada como um
ato ou um estado de espírito virtuoso ou santo… Fé é a condição para nossa
Justificação”.[1]
Além
disso, promessa é algo referente ao futuro. No entanto, a Fé se alicerça na
obra que foi realizada (passado perfeito) pelo Senhor Jesus Cristo na cruz do
Calvário em favor dos eleitos de Deus (e somente por eles).

c) “Nessa fé estão
compreendidos a esperança em Deus e o amor a Ele” – Os eminentes teólogos
Luteranos e Romanistas de Augsburg além de tirarem nota zero na Doutrina da
Justificação, ainda perdem pontos devido à evasiva compreensão que os mesmos
têm da Fé que, provavelmente, não é o Dom da Fé que o Mestre São Paulo Apóstolo
ensinou aos Efésios e, depois de morto ainda ensina, nas páginas eternas da
Sagrada Escritura. Diz a Confissão de Westminster:

A graça da fé, pela qual os eleitos
são habilitados a crer para a salvação das suas almas, é a obra que o Espírito
de Cristo faz nos corações deles, e é ordinariamente operada pelo ministério da
Palavra, bem como pela administração dos sacramentos e pela oração, ela é aumentada
e fortalecida.[2]

 

 

  

 

A evasividade dos signatários, para
que fique bem claro, reside mais uma vez nas palavras abstratas “esperança” e
“amor” que tomam a forma do freguês quando postos no contexto que o mesmo
exige.

Há um problema maior aqui, posto que
as definições Romanista e Reformada para Justificação se opõem tanto quanto o
Culto a Baal se opõe ao Culto ao Senhor
que tirou a Israel da Casa da Servidão. No entanto, muitos Evangélicos não
conseguem perceber a diametralidade da diferença e acabam por fazer uso da
própria definição Romanista sem o saber.

Justificação
não é, como alguns pensam erradamente, "fazer" ou "tornar"
alguém justo. Não é um processo em que Deus transforma aquele que transgride
Sua Lei num homem justo.[3]
Embora as Escrituras enfatizam bastante esta doutrina, no decorrer da história
a Igreja a perdeu totalmente e praticamente a abandonou. A glória da Reforma
Protestante foi, sem dúvida, restaurar à esta doutrina o lugar que ela tinha
direito.[4] A
Justificação pode ser definida como o ato pelo qual Deus declara justo a um
pecador que crê em Cristo.[5]
Calvino diz:

Diz-se que
o homem está justificado aos olhos de Deus quando, no julgamento de Deus, ele é
considerado justo, e é aceito por causa de Sua justiça… Assim, simplesmente
interpretamos a justificação como sendo a aceitação com a qual Deus nos recebe
em Seu favor como se fôssemos justos; e dizemos que esta justificação consiste
no perdão dos pecados e na imputação da justiça de Cristo.[6]

 

  

 

Na definição Romanista, Justificação
é o ato de Deus tornar o pecador uma pessoa justa, que pode apresentar somente
boas obras e deve confiar nessa falácia (“o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa fé estão
compreendidos a esperança em Deus e o amor a Ele”)
.

Enquanto esta carne mortal e
corruptível não for revestida da imortalidade e da incorruptibilidade é deveras
impossível ao cristão apresentar de seus próprios esforços boas obras. As boas
obras do crente foram preparadas por Deus, segundo São Paulo nos ensina: “as
boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.10).
Nós vivemos em boas obras, mas não só em boas obras porque “na minha carne”,
continua o Doutor dos Gentios, “não habita bem algum; e com efeito o querer
está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Romanos 7.18). Outra explicação,
também do Apóstolo, pode ser acrescentada: “Porque a carne cobiça contra o
Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que
não façais o que quereis” (Gálatas 5.18).

Portanto, o ensino Bíblico
redescoberto da Justificação pela Reforma é que Deus declara o crente justo com
base na Justiça de Cristo somente, em que Ele cumpriu toda a Lei de Deus em Sua
vida terrena, e, com Sua morte, ofereceu-Se como sacrifício eficiente e
suficiente para expiação dos nossos pecados. Justificação não é apenas o olhar
favorável de Deus, à luz da morte de Cristo, pelos pecados. Positivamente,
Justificação é o crédito que o crente recebe, na sua impossibilidade de cumprir
a Lei, em função da perfeita obediência de Cristo à Lei. O crente não é apenas
perdoado, mas revestido da Justiça de Cristo, como se ele fosse obediente à
Lei. Somente em Cristo o crente atende os reclames da Lei. Somente em Cristo
ele obedece perfeitamente à Lei. A graça redentora é, pois, o ato redentor de
Deus em Cristo. Cristo é a Justiça pela qual somos justificados, e Cristo é a
expressão da graça do Pai.

Por isso,
Movimento Pentecostal, Movimento de Santidade, Segunda Bênção, Perfeccionismo
Wesleyano, e coisas do gênero não encontram base Bíblica. Acreditar que é
possível por meio de boas obras, orações, leitura da Palavra, etc. alcançar um
padrão de santidade sem pecar é tolice à luz das Escrituras. “Aquele, pois, que
cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Coríntios 10.12) é a recomendação do
Apóstolo com a mesma precisão de nosso Senhor quando disse: “Vigiai e orai,
para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a
carne é fraca” (Mateus 26.41). E ao ensinar-nos o Pai Nosso, que é a coroa de
todas as orações, dela partindo e a ela convergindo, Ele usa as seguintes
palavras: “e não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal” (Mateus 6.13). O
Verbo de Deus reconhece a fragilidade dos Seus salvos e intercede por eles
tanto agora como na hora da nossa morte e, em outra oportunidade, orando ao
Pai, Ele suplica em nosso favor: “Não peço que os tires do mundo, mas que os
livres do mal” (João17.14). Mas é importante que digamos que o mesmo Senhor
Jesus Cristo que reconhece nossa fragilidade também é Pós-Graduado Eternamente
na teoria e na prática da Doutrina da Soberania de Deus ao reconhecer que as
tentações que se nos assaltam estão sob a soberania de Deus e usadas por Ele a
título de provação. Enfraquece esta Doutrina Bíblica traduzir o verbo Grego eisphero por “não deixar cair” como é
feita de forma infiel pela Versão Revista e Atualizada da corrompida Sociedade
Bíblica do Brasil que desde 1948 dá ao Brasil uma Bíblia cada dia mais distante
dos Originais Hebraico e Grego. Graças a Deus que temos ao nosso dispor, na Língua
de Camões e de Machado de Assis, a Sociedade Bíblica Trinitariana que desde
1831 opera no mundo inteiro oferecendo a Fiel Palavra de Deus a todas as
nações, traduzindo e vertendo Bíblias com os mesmos Textos Hebraico e Grego
usados por Tyndale para que o povo
Inglês pudesse ter as Escrituras em seu próprio idioma; usados por Lutero na redescoberta da Justificação
Somente pela Graça e Somente Mediante a Fé; usados por Calvino na redescoberta da Soberania Salvadora de Deus em favor de
Suas ovelhas, assim destinadas antes da fundação do mundo; usados pelos
Reformadores Ingleses Cranmer, Latimer, Ridley e Hooper na sua
luta contra a tirania de Roma nas ilhas Britânicas; usados por Knox na instalação da democracia
eclesiástica da Escócia contra a ditadura romanista e a prática nicolaísta de
muitos bispos anglicanos; usados pelos Puritanos
Batistas, Presbiterianos e Congregacionais
na defesa da Fé Reformada, a Fé
Cristã Histórica; usados pelo Puritano
Metodista Whitefield
na edificação dos crentes e na Salvação de almas –
porque esses homens creram na verdade de que a Palavra de Deus (a de Deus, faço
questão de frisar, e não as adulterações produzidas pelos homens) é “como um
martelo que esmiúça a rocha” (Jeremias 23.29). E no próprio contexto de
Jeremias há uma palavra aplicável aos renomados tradutores das Sociedades
Bíblicas Unidas, organização ecumênica e modernista a que pertence a Sociedade
Bíblica do Brasil: “Portanto, eis que sou contra os profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras,
cada um ao seu próximo. Eis que sou contra os profetas, diz o Senhor, que usam de sua própria
linguagem, e dizem: Ele disse” (Jeremias 23.30-31). O Eterno Deus de Israel
demonstra ser contrário a essas traduções e versões moderninhas das Escrituras
porque elas furtam (v.30) e acrescentam (v.31): o Texto Crítico usado pelas
Sociedades Bíblicas Unidas  é o mesmo de
onde veio o BLH – Belo Livro Horroroso , que agora se chama TLH – Traição na
Linguagem de Hoje “um round em favor das trevas”, como o Dr. Jonas Elias de Oliveira
já disse em artigo publicado em O
Presbiteriano Bíblico
; e de onde também veio a ARA –  a Atualizada, indigna de ser chamada de
“Almeida” que, se a sua igreja é Fiel à Palavra de Deus e ao Testemunho de
Jesus Cristo, deveria resolver não mais usá-la por ser a Atualizada infiel à
Palavra de Deus e ao Testemunho de Jesus Cristo. Esse Texto Crítico tem mais de dez mil omissões,
alterações, adições e outras perversões das cercas de 140.000 santas palavras
do Novo Testamento!

O fato de
Luteranos assinarem um acordo doutrinário com hereges e de Evangélicos usarem a
Atualizada implica em vergonha. “Não me envergonho do Evangelho de Cristo”, diz
o Apóstolo Paulo. E fazemos questão de frisar “de Cristo” pois a própria
Atualizada omitiu a locução adjetiva “de Cristo” que qualifica qual seja este
Evangelho que não devemos nos envergonhar e que é totalmente diverso do “outro
Evangelho”. Dois Evangelhos e Duas Bíblias. Até quando muitos Fundamentalistas
Brasileiros vão continuar coxeando entre dois pensamentos! Está na hora de todo
aquele que se diz Bíblico, Reformado, Conservador, Cristão Evangélico
Histórico, Fiel à Bíblia, Fundamentalista, abandonar o uso de Versões Corruptas
das Escrituras e fazer jus à Fé que uma vez (e não “uma vez por todas” porque
não houve outras vezes em que a Fé fora concedida por Deus no passado e que
teriam falhado pela rejeição humana – crer que tenha havido outras vezes que
foram substituídas é heresia arminiana) foi dada aos santos ?

Lutero
foi excluído da Igreja de Roma e teve que caminhar de forma separatista. Da
mesma forma procederam Calvino e os Reformadores Ingleses, bem como Knox e os
Metodistas. A história, quando contada pela ótica das Escrituras Sagradas, nos
ensina que, quando somos maioria, devemos purgar a incredulidade. Há igrejas
mais puras e igrejas menos puras, segundo a definição da Confissão de
Westminster. Porém, quando somos minoria, é inútil tentar continuar sustentando
o estandarte da verdade na igreja de Satanás, conforme definição de Westminster.
Precisamos sair, precisamos nos separar, pois não pode haver concórdia “entre
Cristo e Belial” (2 Coríntios 6.15). É realmente um jugo desigual quando
estamos na mesma situação do Dr. W. B. Riley, de Mineápolis, que apresentou
a  Confissão de Nova Hampshire – uma
Confissão tão Fiel à Bíblia naquilo que é Essencial, que é Fundamental, quanto
à Confissão de Westminster – à reunião de 1922 da Convenção Batista do Norte,
hoje uma defunta espiritual, semelhante à Igreja Presbiteriana (EUA), conforme
demonstrado pelo Campeão da Fé Cristã Histórica do Século XX, o Rev. Dr. Carl
McIntire no livro “A Morte de Uma Igreja”.

No caso
da Igreja Presbiteriana, houve deboche em se tratar dos Cinco Pontos do
Fundamentalismo, conforme haviam sido aprovados pela Assembléia Geral, nas
ocasiões de 1913, 1916 e 1923. Porém, a Afirmação de Auburn foi a chocarrice
com que os teólogos anticristãos trataram as Verdades Escriturísticas como
meras teorias.

O mesmo
deboche foi evidenciado naquela reunião da Convenção Batista do Norte, segundo
as próprias palavras de John Ashbrook, Líder Fundamentalista Bíblico
Independente do Estado Americano de Ohio, na sua obra “Axiomas da Separação”:

Com sua figura e voz impostada, ele
deu à Confissão uma leitura como ela nunca tinha tido antes. Quando terminou,
William Colgate (da fama da pasta de dentes), o Tesoureiro da Convenção, se
moveu à tribuna e com desdém disse: “Huuuum, então essa é a Confissão de Fé de
New Hampshire, hum? Pensei que o Sr. Riley estivesse lendo o verso de um papel
da Telegráfica Western Union.” O Sr. Colgate falou por apostasia – tendo se
movido da fé para o desdém de um “deboche” dessa fé. A Escritura proíbe-nos
de ter comunhão com tal incredulidade.
 

  

 

 

 

Não há dúvida de que Colgate era um
apóstata e Riley procurou conduzir a Convenção pelo caminho da Doutrina da
Soberania de Deus, da Doutrina da Justificação Somente pela Graça e Somente
Mediante a Fé, da Doutrina da Graça Soberana de Deus, contra as negações e
inovações modernistas do Arminianismo e do Universalismo, que hoje sabemos
contribuem para a organização de Uma Única Religião Mundial (não é mais Uma
Única Igreja Mundial, é Uma Única Religião Mundial). Porém, Riley demonstrou
ser periclitante: embora três anos antes desta reunião da Convenção, o Dr.
Riley houvesse fundado a Associação Mundial dos Fundamentos Cristãos,
organização que projetou o termo “Fundamentalista” para a mídia secular. Embora
Fundamentalista Histórico, Riley não deixou a Convenção Batista do Norte na
formação da Associação Geral de Igrejas Batistas Regulares (1932). Foi eleito
Presidente da Convenção Batista de Minnesota (1944-45). O serviço de seu
funeral, como castigo por NÃO TER PRATICADO A doutrina da SEPARAÇÃO BÍBLICA,
foi realizado pelo Pregador Batista Neo-Evangélico e Ecumênico Billy Graham!
Que triste fim para quem coxeou entre dois pensamentos!

No caso da Igreja Presbiteriana, uma
das grandes batalhas arrojadas pela Fé ardeu nos anos de 1920 entre um infiel
Batista, o Dr. Harry Emerson Fosdick, e os Fiéis Presbiterianos. Através
de um acordo estranho, o Dr. Fosdick foi pastor substituto da Primeira
Igreja Presbiteriana da Cidade de New York. Em 1923 a Assembléia Geral da
Igreja Presbiteriana fez um esforço para remover a blasfêmia de Fosdick de um
púlpito Presbiteriano. Ela aprovou uma resolução, campeada por WILLIAM
JENNINGS BRYAN
, um Presbítero
Regente Fiel à Bíblia que faleceu prematuramente em 1925 antes do seu processo
judicial contra o Evolcionismo nas escolas chegasse ao fim num caso perdido
(Julgamento Scopes)
e pelo REV. CLARENCE E. MACARTNEY, que caminhava com
os Fundamentalistas mas na hora do Êxodo, ele quis continuar com os tesouros do
Egito, exatamente o contrário de Moisés, morrendo no meio dos Neo-Evangélicos.
Cito de O Conflito Presbiteriano, de Edwin Ryan:

Apelou-se à Assembléia [Geral] para determinar ao
Presbitério de New York a exigir da pregação e do ensino na Primeira Igreja
Presbiteriana na Cidade de New York a se ajustarem à Bíblia e à Confissão de Fé
de Westminster. Também se solicitou à Assembléia [Geral] o reafirmar sua fé na infalibilidade
da Bíblia
, no nascimento virginal de Cristo, em Sua expiação
substitucionária sobre a cruz
, em Sua ressurreição física, e em Seus
milagres poderosos
, como doutrinas essenciais da Sagrada Escritura e da Confissão
de Fé de Wesminster
.[7]

 

 

 

 

Os Cinco Pontos ou os Cinco
Fundamentos que a Assembléia Geral foi chamada a reafirmar tornaram-se
conhecidos como “Os Fundamentos”. Os Fundamentos expunham aqueles pontos como o
mínimo denominador comum do Cristianismo. Os modernistas na Igreja reagiram pelo
assinar da Afirmação de Auburn, declarando que estes cinco pontos não são
essenciais ao Cristianismo. Pela definição original, Fundamentalistas são
aqueles que aderiram aos Fundamentos.

Portanto, não se envergonhar do
Evangelho de Cristo é ter coragem para dar o passo a mais, rumo à nossa
identificação com nossos irmãos da Igreja Primitiva, e inclui sair de uma
igreja local ou de uma convenção, associação, comunhão, presbitério, concílio,
denominação, que não esteja sendo Fiel à Bíblia, bem como deixar de usar uma
versão da Bíblia que omite Palavras de Deus ou acrescenta palavras à Palavra de
Deus.

Isto significa batalha. É por isso
que Judas, Irmão de nosso Senhor Jesus Cristo, filho do Bem-Aventurado José e
da Bendita Maria, diz que, ao querer escrever sobre a Salvação comum a todos
nós, eleitos de Deus em Cristo Jesus, e esta Salvação é o Evangelho de Cristo
que inclui a Soberania de Deus, Justificação Somente pela Graça e Somente
Mediante a Fé e a Graça de Deus, foi necessário escrever para que continuassem
a batalha pela Fé uma vez dada aos santos porque os modernistas se
introduziram, sendo homens ímpios, convertem a graça de Deus em puro livre
arbítrio humano – esta é a dissolução – e negam a Soberania de Deus na Salvação
dos eleitos através do sacrifício vicário de Jesus Cristo.

Para compreender uma batalha,
precisamos entender que existem dois exércitos se digladiando, e neles deve
haver ordem e estratégia. Não se ataca, denunciando o erro, ou se defende,
fortalecendo as nossas fileiras, sem atuarmos de forma ordenada e estratégica.
Por isso, em 1941 os Fundamentalistas Americanos se organizaram no Concílio
Americano de Igrejas Cristãs, elegeram o Rev. Dr. Carl McIntire presidente. Depois
até 1957 o Rev. Dr. Robert Ketcham foi o Presidente. Através de uma estratégia
o Concílio Americano, por iniciativa de seu Departamento de Relações
Estrangeiras (Sr. Arie Kok, Moderador), lançou a Chamada Internacional para a
realização de um Congresso Internacional Fundamentalista na Igreja Reformada
Inglesa de Amsterdam, onde estiveram os Pais Puritanos que, a bordo do
Mayflower, chegaram às Terras do Novo Mundo, e depois, em Ação de Graças
(quarta quinta-feira de Novembro) comemoraram com os indígenas a Graça do Deus
Criador e Sustentador da Criação e de nossas vidas.

Estratégia é um recurso
eminentemente humano que reflete a Imagem de Deus em nós. Assim como, para o
louvor da Sua glória, Deus usou por estratégia salvar os Seus eleitos através
da loucura da pregação do Evangelho, nós, Fiéis à Bíblia, devemos usar de
estratégia para sermos obedientes à proposta que nos foi apresentada, nesta
caminhada: batalhar piedosamente e não retroceder incredulamente, como aqueles
que não pertenciam espiritualmente a Israel quiseram fazer, e foram engolidos
pelas areias do deserto. O Apóstolo Paulo ensina que devemos levar cativo “todo
o entendimento à obediência de Cristo”. Esta frase implica em estratégia e a
estratégia de um Concílio Internacional de Igrejas Cristãs, como idealizado
pelo Sr. Arie Kok, Cristão Reformado, e cuja declaração doutrinária foi
redigida pelo Rev. Dr. Thomas Todhunter Shields, Batista Regular Canadense, não
é novidade na história da Igreja.

Calvino manteve contatos com o
Arcebispo Thomas Cranmer, Líder Reformado da Igreja da Inglaterra e ambos
estavam cônscios da necessidade de um Concílio Reformado que reunisse as
Igrejas Reformadas, independente da denominação, mas não foi na época deles que
tal veio a acontecer.

Em 1620, porém, um Concílio de
proporções internacionais reuniu-se na Cidade de Dort, Holanda.  Dizemos isto porque t
omaram assento no Sínodo os
seguintes delegados: 39 pastores, 19 presbíteros, 1 delegado para cada
seminário ou faculdade de teologia (Gomaro era um deles), além de 26 delegados
estrangeiros, que fizeram do
Sínodo de Dort, cidade escolhida para receber o
concílio em função de sua antigüidade, segurança e firmeza reformada, um
concílio internacional, semelhante aos concílios anteriores da Igreja. Esses 26
delegados representavam as seguintes denominações refo
rmadas: Igreja da Inglaterra, Igreja do Palatinado, Igreja de Bremen, Igreja de Emden, Igreja de Hessen e Igreja de Nassau (estas cinco últimas, denominações provinciais do Sacro Império Romano
Germânico
que
adotaram a Fé Calvinista) e a
Igreja Evangélica Suíça.[8] Embora o Rei da Inglaterra, James I,
autorizasse teólogos e ministros anglicanos a tomarem assento, ele proibiu o
mesmo aos delegados da
Igreja da Escócia, de governo presbiteriano. Da mesma forma o Rei da França, Henrique II,
proibiu os delegados da
Igreja Reformada da França de irem a Dort, mas o seu Sínodo Geral
adotou os
Cânones de Dort.

A Assembléia de Westminster da
Igreja da Inglaterra foi uma espécie de Concílio Internacional pois delegados
ingleses e escoceses estavam presentes e eles eram Presbiterianos, Anglicanos,
Batistas, Congregacionais e Independentes.

Isto nos ensina que o Separatismo
não deve criar ilhas isoladas de defesa da Fé Cristã Histórica em que, diante
da batalha, o “fogo amigo” se nos atinge, enfraquecendo nossa Causa. A natureza
do Cristão Fundamentalista deve ser a da ovelha, nunca a de um leão,
individualista: A individualidade é como um leão, e os leões se movem sozinhos.
As ovelhas, pelo contrário estão sempre em um rebanho, acreditando que, por
estarem lá, ficarão seguras. Dentro de um rebanho é possível sentir-se mais
protegido e seguro. Se alguém ou alguma coisa atacar, é mais fácil salvar-se em
meio a um rebanho, mas não se você estiver sozinho. Apenas os leões se movem
sozinhos.

A necessidade da Salvação comum ser
batalhada de forma unânime fez com que se reunissem em 1948 aqueles que estavam
dispostos a atender a Chamada Internacional e que foram os Fundadores do
Concílio Internacional de Igrejas Cristãs, que elegeram o Rev. Dr. McIntire
como Presidente. Lá estavam Delegados da Igreja Presbiteriana Conservadora do
Brasil (gostaria que os Irmãos que são Ministros e Membros da Igreja
Presbiteriana Conservadora do Brasil ficassem de pé). Eles estão dando continuidade ao trabalho do Rev.
Bento Ferraz, do Rev. Francisco Augusto Pereira Jr., do Rev. Raphael Camacho,
do Rev. Dr. Armando de Oliveira, entre outros.

A ALADIC – Aliança Latino-Americana
de Igrejas Cristãs – foi fundada em 1951 aqui em São Paulo. Congregacionais
Bíblicos, Batistas Regulares, Batistas Bíblicos e Presbiterianos Conservadores
foram responsáveis pela fundação da CIEF no Rio de Janeiro, em 1956, por
ocasião do III Congresso da ALADIC. O Rev. Dr. Synésio Lyra, até então Pastor
da mais antiga igreja protestante do Brasil, a Igreja Evangélica Fluminense.
Depois atendendo à Doutrina da Separação Bíblica em meio à batalha, realizaram
êxodo para fundar a primeira igreja bíblica congregacional do país: a Igreja
Bíblica Congregacional do Rio de Janeiro. Embora ela não esteja conosco, o
testemunho Congregacional Fiel à Bíblia tem sido mantido pelos Congregacionais
Bíblicos de um lado, e os Congregacionais Fundamentalistas do outro.

Todo Fundamentalista Bíblico precisa
estar preparado para praticar a Separação Bíblica quando a necessidade
mostrar-se premente. Por isso, a Igreja Presbiteriana do Recife deixou a Igreja
Presbiteriana do Brasil naquele ano abençoado de 1956, em solidariedade ao Rev.
Dr. Israel Gueiros, o maior Fundamentalista Bíblico Brasileiro, que fundou a
Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil, que tem mantido comunhão com os
Missionários Presbiterianos Bíblicos desde que o Presbitério do Sul era apenas
o Campo Missionário do Sul do Presbitério de Norte, e precisa reforçar seus
distintivos Fundamentalistas Bíblicos para não perder sua identidade. Tigres
Fundamentalistas não podem ser tornar meros gatinhos ronronando. Precisam ser
intrépidos na defesa da Fé Cristã Histórica, como foi o Rev. Carlton Matthews,
que muito ajudou na formação da ALADIC, e os demais Batistas Regulares, bem
como os Batistas Bíblicos na formação da CIEF!

Fundamentalistas do Brasil,
reforcemos nossas fileiras (lutando contra a Música Cristã Neopentecostal,
contra os israelismos no culto como palmas e danças, contra o uso de versões
corrompidas, contra o uso da interpretação alegórica das Escrituras) e
estreitemos nossas atividades em conjunto! O Conselho Mundial de Igrejas esteve
alguns anos atrás em Porto Alegre, e nós precisamos nos mobilizar! Deus será
conosco! Lembremos das palavras de Daniel Webster Whittle, traduzidas por Henry
Maxwell Wright:

Um pendão real vos entregou o Rei,

A vós, soldados seus!

Corajosos, pois, em tudo o defendei,

Marchando para os céus.

 

Com valor! Sem temor!

Por Cristo prontos a sofrer!

Bem alto erguei o Seu pendão,

Firmes, sempre, até morrer!

 

Eis formados já terríveis batalhões

Do grande usurpador!

Revelai-vos hoje bravos campeões!

Avante, sem temor!

 

Quem receio sente no seu coração

E fraco se mostrar,

Não receberá o eterno galardão

Que Cristo tem pra dar!

 

Pois sejamos todos a Jesus fiéis,

E a Seu real pendão!

Os que da vitória colhem os lauréis

Com Ele reinarão.

 

Deus nos abençoe e nos faça
intrépidos soldados de Seu exército santo. Amém.                   

 
 

Palestra proferida pelo Prof. Josias Baraúna Jr., Diretor-Presidente da
Faculdade Evangélica Bíblica de Teologia Reformada –
FAEBTER,  e Vice-Presidente da ALADIC – Aliança Latino-Americana de Igrejas Cristãs – para o Brasil, por ocasião da Concentração da CIEF – Confederação de Igrejas Evangélicas Fundamentalistas do Brasil, ocorrida no dia 31 de outubro de 2009, na Igreja Bíblica Congregacional de Itaquera (São Paulo, Capital). 

 

        

 


[1] HODGE, Teologia Sistemática, Vol.
III, p.118.
Apud THIESSEN, loc. Cit., p.262.

[2] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER,
capítulo XIV, item I. In: CONFISSÃO
DE FÉ E CATECISMO MAIOR DA IGREJA PRESBITERIANA
, pp.26-7.

[3] OLIVEIRA, Josué A. O Aspecto
Jurídico da Justificação
, p.25.

[4] THIESSEN, Henry Clarence. Palestras
em Teologia Sistemática
, p.259.

[5] Idem. Ibid., p.259.

[6] CALVINO, João, Institutas, Vol. II,
pp.37-38. Apud THIESSEN, op. cit., p.259.

[7] Todos os grifos desta citação são do
tradutor. 

[8]                      Após a morte de Calvino,
as Igrejas dos Cantões Franceses e Alemães se uniram, formando a Igreja
Evangélica Suíça.

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